Polícia Militar Rodoviária de São Paulo (PMRv-SP) recomenda: não use o celular enquanto estiver dirigindo
Apesar de não haver, no estado de São Paulo, um levantamento específico sobre o número de sinistros de trânsito registrados em rodovias, por conta do uso do celular ao volante, é possível imaginar que essa infração – que varia entre média e gravíssima – seja responsável por milhares de acidentes.
Basta ver o levantamento apurado pelo Estradas, que dá conta de que entre janeiro e julho de 2026, foram registradas, em todo o Estado, 122.771 autuações por uso de celular ao volante. No ano anterior, o número de infrações desse tipo foi de 259.295 infrações, em São Paulo.
No caso do Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (DetranSP), há o registro do volume de multas e infrações por uso de celular, mas não há precisão no número exato de acidentes causados especificamente por essa distração.
Entre os tipos de infração mais comuns, estão manusear o aparelho (digitar ou rolar a tela): 91.261 casos (infração gravíssima); segurar o celular com a mão: 17.446 casos (infração gravíssima); e falar ao telefone: 14.064 casos (infração média).
Riscos e alertas de especialistas
Órgãos como a Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que mexer no celular eleva em até 400% o risco de colisões. Isso ocorre porque o condutor perda a reação. Com base na Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), digitar a 80 km/h faz com o motorista percorra cerca de 100 metros sem olhar para a pista.
Infelizmente, não há um levantamento estatístico exato sobre o número isolado de sinistros causados por celular nas estradas de São Paulo devido à chamada “subnotificação”. Como o celular raramente deixa um rastro físico no local da colisão e muitos motoristas não admitem o uso à polícia, esses sinistros costumam ser catalogados sob a categoria genérica de “Falta de Atenção do Condutor”.
Alerta da Polícia Rodoviária de SP
Veja o alerta feito pelo capitão PM Thales, chefe do setor de Comunicação da Polícia Militar Rodoviária do Estado de São Paulo (PMRv-SP), por ocasião do Dia dos Pais. Independente de uma data especial, os condutores devem deixar de lado o celular enquanto pilotam ou dirigem. Veja o vídeo:
https://www.instagram.com/reel/Dci5Ddtxaf7/?igsi=NTc4MTIwNjQ2YQ==
Como foi citado logo na abertura desta matéria, apesar de a falta de um número exato específico para as rodovias estaduais paulistas, existem cruzamentos de dados oficiais e estimativas robustas feitas por especialistas que ajudam a ter uma boa noção do problema real:
1. Estimativas da Abramet (Nacional) – Ranking de gravidade: A Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) aponta que o celular ao volante já figura como a principal causa de falta de atenção ao conduzir e a terceira principal causa de mortes no trânsito em todo o Brasil.
Faixa etária mais afetada: Dados consolidados pela entidade mostram que o uso de celular é responsável por cerca de 57% dos acidentes de trânsito entre motoristas jovens de 20 anos a 39 anos.
2. Monitoramento técnico nas rodovias paulistas – Concessionárias que administram as estradas em São Paulo começaram a utilizar câmeras inteligentes dotadas de Inteligência Artificial (IA) para medir o comportamento em tempo real.

FLAGRANTES: Concessionária Renovias tem duas câmeras inteligentes instaladas em pontos distintos da SP-340, na região de Campinas (SP). Entre outubro de 2024 e setembro de 2025, foram registrados quase 4.462 flagrantes pelo uso do celular ao volante. foto: Divulgação/Renovias
Em testes de sistemas de IA em rodovias paulistas, como os trechos da SP-340 (Renovias) e do Rodoanel Mário Covas (SP-021), foram flagrados milhares de motoristas manuseando telas por quilômetro monitorado, conectando diretamente esses flagrantes com o aumento das colisões traseiras e saídas de pista sem motivo aparente nessas vias.
3. Indicador Indireto: Registro de sinistros graves – Casos fatais isolados mostram como a dinâmica ocorre na prática. Em ocorrências recentes registradas pela Polícia Rodoviária em rodovias como a SP-340, motoristas que causaram colisões e atropelamentos fatais em acostamentos tiveram o uso do celular no momento exato do impacto comprovado por perícia ou por câmeras de cabine.
O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) divide o uso do celular ao volante em três enquadramentos diferentes, variando a gravidade e o valor de acordo com a forma como o condutor interage com o aparelho:
Conduta do Motorista
- Manusear o aparelho (digitar, ler mensagens ou olhar redes sociais) é considerado infração gravíssima, e é passível de multa de R$293,47, além de 7 pontos na CNH;
- Segurar o celular (falar com ele na mão ou manter o aparelho no colo) é considerado infração gravíssima, e é passível de multa de R$293,47, além de 7 pontos na CNH;
- Utilizar o telefone (falar ao telefone usando fones de ouvido) é considerado infração média, e é passível de multa de R$130,16, além de 4 pontos na CNH.

PERIGO CONSTANTE: Caminhoneiro é flagrado digitando em celular enquanto conduz seu caminhão por uma rodovia federal brasileira. Foto: Aderlei de Souza
Detalhes importantes da Fiscalização
- Se o condutor estiver parado no semáforo, tanto o DetranSP quanto a Polícia Militar Rodoviária autuam da mesma forma se o veículo estiver temporariamente parado no sinal vermelho ou no trânsito congestionado, pois o carro continua em situação de condução na via pública.
- Impacto no limite de pontos: Embora a multa por celular não suspenda a carteira de imediato, receber uma infração gravíssima reduz o seu teto máximo permitido de pontos na CNH nos 12 meses seguintes.
- Uso de GPS: É permitido utilizar aplicativos de navegação, desde que o celular esteja fixado em um suporte adequado no painel ou vidro, e o motorista não toque na tela enquanto o carro estiver em deslocamento.
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